quinta-feira, 23 de abril de 2009

É difícil esperar pela “pessoa certa”

Já são 20 minutos de atraso, e como isso me irrita. Pontualidade é minha marca registrada, mas ele insiste em não respeitar os horários combinados. Mesmo assim, espero, e em segredo digo: “vale a pena”. Por que quando ele chega, para e me olha pedindo desculpas sem mesmo dizer uma palavra me derreto e esqueço do quanto estava enfurecida, só quero abraçar bem forte.

É até clichê dizer “quando eu menos esperava alguém especial apareceu”. Talvez essa frase se repita por que diante de tantos “erros” somos surpreendidos por um enorme acerto e não queremos admitir o quanto buscávamos, “a pessoa certa”. Foi repentino sim, mas depois de alguns minutos perto da minha “pessoa certa” tive certeza que momentos muito bons viriam, e esses superariam qualquer contratempo, normal em relacionamentos.

Mesmo com pouco tempo os ajustes são necessários, mas nem sempre muito agradáveis. As diferenças as vezes levam ao mal entendimento e até as tão temíveis brigas. É claro, comigo não seria diferente, mas ao final desses acertos parece que meus sentimentos de carinho e paixão aumentavam ainda mais. Nossa habilidade, minha e da “pessoa certa”, em desatar os nós fortalece o que já nasceu forte, mantêm o que estava bom e modifica os detalhes que só irão contribuir. Devo admitir que essa habilidade é muito mais dele que minha, mas tento, ao meu jeito, fazer com que esse traço perpetue.

Quem tem alguém especial poderá entender meu outro dilema: como permacer confortável quando se está a dois?Eu insisto em não sair dos seus braços. Mesmo que para isso eu cause formigamentos e dores, não adianta, e não me ache egoísta. Podem me dar o melhor travesseiro do mundo, poltronas agradáveis, e até um pedaço de nuvem para eu deitar, não quero. O local onde me sentirei mais segura e amada é nos braços da minha “pessoa certa”, é onde quero permanecer.

Quando estou perto sei que a distância não pode continuar, e quando longe, ele continua presente em meus pensamentos e na mais sincera vontade de ficar ao lado, em todos os momentos.

Minha “pessoa certa” chegou, foram 30 minutos de atraso. Acho que ele sabe que irei discutir por isso. Uma coisa que eu ainda não disse é que meu verdadeiro motivo para essa insistente pontualidade é a vontade, quase incontrolável, de ficar perto da pessoa que mais me faz feliz.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Quando acabar tem que ir embora

Clara sempre tão sensata. Fazia questão de justificar, explicar e defender nos mínimos detalhes seus pontos de vista e convicções. Gostava de falar, mas nunca teve muita paciência para ouvir as palavras dos outros. Teme ser contrariada, e não controlar e prever os próximos passos alheios a intimidam. Por medo de se machucar prefere se fechar em sua concha e se manter intacta e protegida. Quando sente sinal de perigo nem pensa duas vezes, recolhe-se, mesmo que a vontade seja de arriscar, o temor de um ferimento ainda é maior.

De tanto se decepcionar, parou de apostar. Não é cética, muito menos insensível, mas não se deixa levar por palavras soltas e promessas evasivas. No mais simples sinal de indiferença coloca seus sentimentos no saco e decreta fim, mesmo sem ao menos existir o começo.

Consciente dos seus defeitos, Clara sabe que sua “super sinceridade” afasta alguns que ela queria por perto. O belo nome não poderia expressar melhor sua personalidade, quase transparente.

A maioria acha que Clara é ansiosa, e sempre dizem, “relaxa garota!”. Não adianta, por melhores que sejam os conselhos, e ela sabe que são, continua medrosa. Justifica-se, “esse mundo tá louco, preciso me defender”. Chega a ser irritante seu jeito metódico e inflexível, leva tudo ao pé da letra. Como se preocupa com tudo e todos nos mínimos detalhes, a exigência é à altura. Aí começa a decepção.

Clara escolhe ao acaso, certa de que isso não existe. Por mais cuidadosa que seja, acaba se mostrando demais, desprotegida, sente-se ameaçada. Mesmo magoada prefere guardar os sentimento na mala e partir, deixa na lembrança e no coração as emoções e carinhos compartilhados em momentos únicos. Os motivos para ir são a proteção de Clara, e talvez o muro que a separe da felicidade.

Clara foi para Europa.

sábado, 3 de janeiro de 2009

A praga da década são os namorofóbicos

A praga da década são os namorofóbicos, homens estão cada vez maisarredios ao título de namorado, mesmo que na prática, namorem. Umacoisa muito estranha. Saem juntos, fazem amor, vão ao cinema, discutem, sentem ciúmes,freqüentam as respectivas casas, conhecem os amigos, fazem planosjuntos, inventam até mesmo apelidinhos, tudo numa freqüência denamorados, mas não admitem.

Tem alguns,que até tem o cuidado de passar por cima das vontadesocultas para não perder o direito a liberdade. Eles podem sair varias vezes durante a semana, mas aí tem que daruns intervalos regulamentares que é pra não parecer namoro.- É sua namorada?- Não, é minha amiga. Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, comose namorar fosse conceder o título de propriedade a outra pessoa.

Os homens devem temer que ao chamar uma mulher de namorada ela setransforme numa dominadora perversa, malvada, que vai arrastá-lo paraa toca e fazer com que ele viva num mundinho feito apenas para osdois, que ele esqueça dos amigos, do futebol, do autorama e até agrande paixão, o carro que ele tanto adora ou aquelas trilhas de motoque ele treina no sábado para correr no domingo... ele pensa que arespectiva namorada vai querer fazer enxoval, comprar as alianças,apresentar para a parentada toda e falar de casamento... Sinto decepcioná-los, mas as mulheres de hoje não pensam somentenisso, não a menos que seja uma psicopata, mas pata do que psico.

Namorar é leve, tranqüilo, bom e gostoso. Se interessar pelo outroe ligar pra ver se esta tudo bem, isso não quer dizer COBRANÇA, querdizer SAUDADE, vontade de estar junto, dormir junto, sentir o cheiro,saudade de dividir o tempo. A coisa esta ficando tão grave que esta sendo levada aos extremos,de que pode tudo nesse "relacionamento", menos chamar de namorada. Pode viajar junto, dormir junto, fazer planos juntos e até ficarna casa dele de domingo à tarde, mas não se pode pronunciar e nempensar no macabro namoro.

Antes o problema era outro, casamento. Ninguém queria, ninguémgostava. Agora é o namoro, que deveria ser à base de tudo, o testedrive, a experiência com toda leveza e tranqüilidade do mundo. Daqui a pouco o problema vai ser qualquer tipo de relacionamentoque possa durar mais que uma noite e ter envolvimento maior que sabero nome.

Do que vocês homens sentem medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De amar? De perder a liberdade? Liberdade... Hoje você deixa de lado a mulher que você gosta porque precisa da sua tão amada liberdade, mas amanhã a sua liberdade nãomais vai te completar como hoje, e talvez aquela mulher para qualvocê cortou todas as esperanças de compromisso sério, já estará emoutra feliz, apaixonada e desfrutando do conjuntonamoro+amor+liberdade+diálogo = felicidade, enquanto você ainda ta"ficando"......Pra trás!


Danusa Leão

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Retome o fôlego

Quer gritar? Berra!

Mas com a explosão é perigoso abalar ainda mais as estruturas e cair de vez. O mundo por si só já é por demais desequilibrado, agora imagina, no meio do enlouquecimento quem se deixa levar pelo desespero acaba virando mais um tantã.

Contar até três a maioria das vezes não é suficiente, mas se preciso for, conte até um milhão. Nada vale a tranqüilidade e sensatez, que para serem adquiridas necessitam de muito exercício e aprendizado.

Qual a proporção entre situações que nos fazem arrancar os cabelos para outras que são motivo de gargalhadas? Uma em um montão?Sabe-se lá quanto, e quem se atreveria a contar? O negocio é estender os sorrisos e manter a sobriedade diante dos obstáculos.

Tira um retrato da alma e veja se ela anda inquieta. Acalma por dentro, arruma as coisas devagarzinho. É mais que bom senso lembrar das lições impostas pela vida para agir com tranqüilidade. Sabedoria.

No calor do desespero, tumulto, fúria, é a raiva que cega, e mesmo sem querer, destrói. Catar os caquinhos e colocar tudo no lugar pode ser bem mais trabalhoso que manter a base e bolar um plano para vencer a correnteza.

...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Em busca do tempo perdido

Quase sem tempo. Não é desculpa esfarrapada, é que ultimamente estou extremamente ligada a assuntos “pouco amenos”. Difícil desplugar no meio da semana para escrever algo que fuja de segurança pública. É com esse tema que tenho sonhado, escrito, lido, me informado. Confesso que aos poucos estou me apaixonando. Quando mergulho fundo em algo fico assim, quase afogada, mas feliz por estar viva e realizada por ter vencido o desafio. O melhor é que a tarefa apenas começou, então, que venham os leões, vou transformá-los em gatinhos.

Permitam-me, hoje apenas, mostrar um trecho de um escritor que gosto muito. Para uma terça-feira é melhor ler Marcel Proust. As “peripércias” de Camila Jungles ficam pro final de semana, aguardem.


"Preenchemos a aparência física do ser que vemos com todas as noções que temos a seu respeito, e, para o aspecto global que nos representamos, tais noções certamente entram com a maior parte. Acabam por arredondar tão perfeitamente as faces, por seguir com tão perfeita aderência a linha do nariz, vêm de tal forma matizar a sonoridade da voz como se esta fosse apenas um envoltório transparente, que, cada vez que vemos esse rosto e ouvimos essa voz, são essas as noções que reencontramos, que escutamos. Sem dúvida, no Swann que haviam construído para si mesmos, meus pais tinham omitido, por ignorância, uma multidão de particularidades de sua vida mundana que faziam com que outros, em sua presença, vissem todas as elegâncias dominar-lhe o rosto até o nariz recurvo, que era como que sua fronteira natural; mas também tinham podido acumular naquele rosto despojado de seu prestígio, vago e espaçoso, no fundo desses olhos depreciados, o suave e incerto resíduo - um tanto memória, um tanto esquecimento - das horas ociosas passadas em nossa companhia após os jantares semanais, ao redor da mesa de jogo ou no jardim, durante a nossa vida de boa vizinhança campestre. E com tudo isto, de tal modo se enchera o envoltório corporal de nosso amigo, bem como de algumas recordações relativas a seus pais, que este Swann se tornara um ser completo e vivo - e eu tenho a impressão de deixar uma pessoa para ir me encontrar com outra bem distinta quando, na minha memória, passo do Swann que conheci mais tarde em detalhe para esse primitivo Swann - no qual reencontro os erros encantadores da minha juventude, e que aliás se parece menos com o outro do que com as pessoas que conheci na mesma época, como se ocorresse em nossa vida o mesmo que num museu, onde todos os quadros de uma mesma época têm um ar de família, uma mesma totalidade -, esse primitivo Swann cheio de lazeres, perfumado pelo aroma do grande castanheiro, do cestinho de framboesas e de um tantinho de estragão".

PROUST, Marcel, “No Caminho de Swann”. Tradução: Mario Quintana. São Paulo: Globo, 1990.

terça-feira, 17 de junho de 2008

História de menina

Paulinha nasceu na década de oitenta. Foi batizada com esse nome mesmo, não é diminutivo. Não lembro bem de suas feições, mas sei que era bonita. Beleza afável e simples. Gostava de comer banana com queijo e arroz integral com azeite. “Menina doida!”, muitos poderiam pensar, mas quem já experimentou? Morou em vários lugares e conheceu gente de todo tipo, isso a deixava fascinada. Parava e observava durante horas cada detalhe e gestos de quem julgava interessante. Tinha uma grande amiga.

Era tímida, mas daquelas que se a gente dá uma brecha fica folgada. Medrosa e manipuladora, isso não quer dizer mentirosa. Acho que o pensamento de Paulinha era tão ágil e veloz que seu corpo não conseguia processar, concluí, depois de anos de observação, ser o verdadeiro motivo de sua lentidão.

Chuva era motivo de diversão. Saía correndo para o quintal quando ouvia trovões e deliciava-se com o os pingos de água batendo no rosto. Tinha verdadeira fascinação por água, mesmo depois de quase se afogar em uma piscina, ninguém nunca viu nem soube disso, era corajosa! Não existem momentos e sensações que guardamos lá no fundo? Esse foi um dos segredo de Paulinha.

Coitada, tinha a língua presa. Mas isso nunca a incomodou, na verdade, ela achava que falava igualzinho a todos e chegou a pensar: “eles que tem o ouvido ou a cabeça presa”. Outro sofrimento foi a bronquite, herança paterna, isso sim a derrubava. A primeira crise ninguém esquece. Tarde chuvosa, fila enorme no pronto-socorro, o ar parecia fugir de seus pulmões. Vomitou na porta do hospital, logo atenderam Paulinha, fez nebulização, sentiu-se melhor. Mal sabia que aquele episódio iria se repetir por muito, muito tempo. Sempre que estava mal, com falta de ar, tomava um remedinho rosa, passou a odiar essa cor.

Dormia com a vó, em uma cama de casal, e adorava. Vovó era figura importante, dava banho, arrumava, quando preciso brigava. Paulinha gostava muito de pão e café com leite, mas só a vó sabia fazer. Picava o pão duro, fazia o café sem açúcar, colocava bastante leite e mergulhava a “pedra de farinha de trigo”, era o cavalo manco. Nome engraçado, o que tem a ver o tal animal com o lanche da tarde? Paulinha nunca parou para refletir sobre isso, só comia e gostava.

Paulinha era muito vaidosa, tinha uma roupa preferida, era o vestido de baratinha. Assustador para quem não conhece. Rosa com babadinhos, muito feminino, tinha um inseto bordado, ela amava! Para calçar, um tênis vermelho, mas ela crescia muito rápido, quando menos esperava o calçado já não servia mais. A super vó dava um jeito, sentava Paulinha no sofá, pegava uma colher e enfiava o pé da pequena dentro do sapatinho. A vó era cuidadosa, Paulinha pensava: “a vó tem super poderes mesmo, ela consegue fazer tanta coisa que, para mim, eram impossíveis”.


Não sei ao certo quando, mas ao entardecer, um dia comum, Paulinha brincava no quarto quando sua mãe perguntou:

— Quer lanchar?

Respondeu que sim e pediu:

— Não esquece de trazer dois copos de suco e dois pães.

A mãe esbravejou sem paciência:

— Para com essa bobagem! Chega de jogar comida fora, não existe Paulinha nenhuma, isso é coisa da sua imaginação!

Nesse dia Paulinha morreu.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sem mais

A força parece que some e a correnteza leva tudo. É como quando passa um redemoinho de vento que bagunça e deixa tudo de pernas pro ar. Luta-se tanto por algo, defendo idéias com unhas e dentes, mas a regra tem exceções, são muitas, mais que espero. Tem dia que dá preguiça, que nada tem sentido e mesmo quem se acha super forte acaba encontrando sua criptonita.

Para fugir acabo tentando “entrar na dança”. Quem muito busca suas convicções quando menos espera é surpreendido por uma decepção que sacode. É como se fosse um carvalho em meio à ventania, por mais forte que seja quebra no meio. Mas o bambu, aparentemente sensível continua lá, é maleável. Chega de planos traçados nas nuvens, sem graça, sem sono. Ainda estou com dor de cabeça.

Sou obrigada a aprender a não acreditar que meus gestos obriguem que os outros forneçam respostas equivalentes aos mesmos. Na verdade, não é bom esperar nada, mas quem consegue? Definitivamente não quero aprender a dançar ao som dos sentimentos superficiais. O fato é: a ventania me rachou e acho que estou deitada em uma pedreira de criptonita.

Vou dormir. Acorda-me às seis?